O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB–PB) reagiu à ausência de um posicionamento oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba sobre a disputa ao Senado Federal em 2026. Em entrevista, nesta segunda-feira (27), o parlamentar afastou qualquer leitura de contradição dentro da legenda e afirmou confiar no alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorre após repercussão de entrevista concedida pelo ministro José Guimarães, publicada pelo portal Metrópoles, na qual ele reconhece que ainda há indefinições no cenário paraibano, especialmente em relação às candidaturas ao Senado.
Para Veneziano, o debate dentro do PT tem foco mais amplo e não representa um impasse específico sobre seu nome. “Essa discussão foi muito mais voltada à questão do Governo do Estado. Em relação ao Senado, não há dúvidas quanto à orientação já manifestada pelo presidente Lula”, afirmou à rádio CBN João Pessoa.
O senador destacou sua interlocução com o Governo Federal e citou ações recentes como prova de alinhamento político. Segundo ele, investimentos na área da saúde, incluindo cerca de R$ 51 milhões destinados à ampliação de unidades básicas e centros psicossociais, reforçam essa parceria institucional.
Apesar do discurso de segurança, o cenário dentro do PT paraibano ainda é marcado por movimentos divergentes. Embora a sigla já tenha anunciado apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro (Progressistas) ao Governo do Estado, a definição sobre o Senado permanece em aberto.
No fim de semana, o diretório municipal do PT em Campina Grande se antecipou à direção estadual e declarou apoio tanto a Veneziano quanto ao ex-governador João Azevêdo (PSB). Em nota assinada pelo presidente municipal, Pedro Netho, o grupo argumenta que ambos os nomes estão alinhados ao projeto político nacional liderado por Lula.
O movimento evidencia fissuras internas. Enquanto João Azevêdo desponta como principal nome ao Senado na chapa governista, Veneziano articula sua candidatura em um campo político distinto, vinculado ao grupo do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB).
Outros nomes também entram no radar petista. O ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), vem ganhando espaço, impulsionado por articulações do deputado federal Hugo Motta (Republicanos), seu filho, que busca viabilizar apoio direto de Lula.
No início do mês, um grupo de ex-presidentes do diretório estadual do PT divulgou manifesto conjunto em defesa dos nomes de Veneziano e João Azevêdo, ampliando a pressão interna por uma definição.
Mesmo diante do quadro fragmentado, Veneziano sustenta que a decisão final seguirá a orientação nacional do partido. “O que se tem dito, tanto em nível estadual quanto nacional, é que prevalecerá aquilo que já foi definido pela direção maior”, afirmou, citando declarações do presidente estadual da sigla, Jackson Silva.
Com as convenções partidárias previstas para os próximos meses, a tendência é de intensificação das negociações. Até lá, o PT paraibano segue dividido entre sinais locais e diretrizes nacionais, um cenário que mantém a disputa ao Senado em aberto e cercada de expectativas.
Fonte: Lucas Duarte / Fonte83



