O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Dr. Bruno Leandro, comentou nesta sexta-feira (28) a prisão de uma mulher suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos de harmonização glútea em João Pessoa. Isabela de Melo Dantas foi presa em flagrante na quinta-feira (27), enquanto atendia uma paciente no bairro do Bessa. Segundo as denúncias, os procedimentos teriam envolvido aplicações de ar, soro e até silicone de construção, além de relatos de complicações de saúde que teriam exigido intervenções cirúrgicas de emergência. A prisão foi realizada pela Delegacia de Defraudações (DDF), e a suspeita foi encaminhada para a Cidade da Polícia Civil, onde foi solta um dia após passar por audiência de custódia. A Justiça concedeu liberdade provisória, mas determinou o cumprimento de medidas cautelares.
Em entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba, Bruno Leandro destacou os riscos relacionados à realização de procedimentos invasivos por pessoas sem habilitação médica. “Falar sobre um assunto tão importante como esse, de segurança dos pacientes e de exercício ilegal da nossa profissão, é sempre importante, porque coloca em risco a população”, afirmou. Segundo o presidente do CRM-PB, procedimentos estéticos invasivos exigem conhecimento técnico para identificar estruturas anatômicas, realizar as aplicações de forma adequada e reconhecer ou tratar possíveis complicações. “Todo procedimento é invasivo, seja ele estético ou não, é um ato médico”, declarou.
O médico também citou possíveis complicações decorrentes de aplicações inadequadas, entre elas infecções, necrose, cicatrizes e embolização. “Às vezes, uma embolização, que é o que pode também acontecer, você precisa ali ter um carrinho especial com medicamentos para poder fazer qualquer tipo de reversão, e precisa estar atento”, explicou. Bruno Leandro parabenizou a atuação da Polícia Civil e defendeu que a população verifique a habilitação do profissional antes de realizar qualquer procedimento. “Através do site do Conselho Regional de Medicina, de busca médica, digitando o nome de qualquer pessoa, você vai saber se ele é médico ou não”, orientou.
Sobre o uso do termo “Doutora” em perfis profissionais, o presidente do CRM-PB afirmou que o ponto principal é verificar a atuação efetivamente exercida pela pessoa. “Qualquer pessoa que faz doutorado pode ser doutor, doutora, não tem problema. Mas o mais importante nesse caso, e em qualquer outro, não é o que a pessoa coloca como titulação, mas a intenção de enganar os pacientes”, disse. Ele acrescentou que procedimentos estéticos invasivos realizados por pessoas sem habilitação podem caracterizar exercício ilegal da medicina, independentemente de como o profissional se apresenta. Bruno Leandro ainda orientou que médicos informem o CRM nas redes sociais e, quando anunciarem uma especialidade, também apresentem o Registro de Qualificação de Especialista (RQE). “Sem o CRM não é médico, sem o RQE não é especialista”, afirmou.
Fonte: Lucas Duarte / Fonte83
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